Cinco meses após a criação do programa Vai de Graça, o número de passageiros aumentou 61% no metrô e 69% nos ônibus do Distrito Federal aos domingos e feriados. Os dados foram apresentados pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa do DF, que avalia o impacto da gratuidade no transporte coletivo.
O benefício começou a valer em março e vem sendo usado por trabalhadores, famílias e pessoas em deslocamentos de lazer. Diante do crescimento da demanda, o governo analisa a possibilidade de estender a gratuidade para outros dias da semana.
Regiões mais afastadas concentram o maior aumento na demanda
No metrô, as estações Estrada Parque, Taguatinga Sul e Feira do Guará apresentaram crescimento superior a 100% aos domingos. Nas linhas de ônibus, o maior número de novos passageiros está em áreas de alta densidade populacional e com pouco acesso a transporte de qualidade, como Paranoá, Itapoã Parque, Pôr do Sol/Sol Nascente, Ceilândia, Taguatinga, Recanto das Emas e Riacho Fundo II.
Uso do cartão pode se tornar obrigatório para acessar a gratuidade
A Secretaria de Transporte e Mobilidade estuda exigir o uso de cartão BRB Mobilidade ou outros vales para quem quiser utilizar o Vai de Graça. O objetivo é reunir dados mais precisos para direcionar políticas públicas e expandir o programa de forma planejada.
A proposta, no entanto, é criticada por movimentos sociais que temem restrições no acesso ao benefício. Para eles, o programa deve seguir como instrumento de inclusão e não criar novas barreiras.
Crescimento sem prejuízo mostra potencial da política pública
Segundo técnicos do Metrô-DF e da Semob, a gratuidade não comprometeu as finanças do sistema nem gerou sobrecarga. Os passageiros passaram a utilizar mais o transporte público aos domingos, com impacto positivo para trabalhadores do comércio, moradores de regiões periféricas e cidadãos que dependem do sistema para se locomover em dias não úteis.
Os dados reforçam que o Vai de Graça tem potencial de ampliar o acesso à cidade, reduzir a emissão de poluentes e movimentar a economia local.
Comissão sugere novas medidas para ampliar e monitorar o programa
Entre as recomendações feitas à Secretaria de Transporte e Mobilidade estão a criação de um site oficial com dados atualizados, elaboração de estudos de impacto ambiental e socioeconômico, além da transparência no repasse de informações financeiras à Câmara Legislativa.
A CTMU também propôs a criação de um conselho de acompanhamento com participação de representantes da sociedade civil, especialistas e usuários do transporte público.
Programa do DF vira exemplo para debate nacional sobre tarifa zero
A gratuidade no transporte coletivo do DF reacendeu a discussão sobre a criação do Sistema Único de Mobilidade no país. A proposta está em debate no Congresso Nacional por meio da PEC 25, que trata da integração federativa para garantir transporte público gratuito, com qualidade e participação popular.
Especialistas defendem que políticas de mobilidade devem ser articuladas com outras áreas sociais, como saúde, educação e cultura, principalmente para garantir direitos à população de baixa renda.
Seminário internacional sobre mobilidade será realizado em Brasília
Nos dias 21 e 22 de agosto, a Câmara Legislativa do DF vai sediar o 2º Seminário Internacional de Mobilidade Urbana. O evento terá participação de representantes do Brasil, Portugal e Chile, além de técnicos, pesquisadores e gestores públicos.
Com foco em sistemas sobre trilhos, eletrificação e descarbonização, o seminário busca ampliar o debate sobre alternativas ao transporte individual motorizado e pensar soluções sustentáveis para o futuro das cidades.